Hoje, dia 31 de outubro de 1904 foi sancionada a lei nº 1261, que torna obrigatória em toda a República a vacinação e revacinação contra a varíola. O que, de fato, nos deixa extremamente aliviados.
Não somente nós, moradores do Rio de Janeiro, e colunistas desta revista. Mas também o país inteiro (ou quem sabe o, o globo todo?).
É claramente visível que nossa querida cidade é pestilenta. A situação é crítica!
Não se esqueçam, caros leitores de alguns fatos ocorridos: durante o verão, os diplomatas estrangeiros se refugiavam em Petrópolis, para se livrar do contágio. Em 1895, ao atracar no Rio, o contratorpedeiro italiano Lombardia perdeu 234 de seus 337 tripulantes por febre amarela!
Até onde devemos deixar que estas doenças nos matem? Devemos então, deixar a cargo do chefe da Diretoria de Saúde pública, Oswaldo Cruz, e acreditar em suas palavras que nos transmite tanta confiança: "Dêem-me liberdade de ação e eu exterminarei a febre amarela dentro de três anos."
Por Jessica da Rocha.
Para quem a vacina é benéfica?Para a população que teve suas casas derrubadas e sofreu humilhação ao ter que se submeter a uma vacina que ninguém sabe exatamente o que é? Não mesmo.
ResponderExcluirO fato da cidade do Rio de Janeiro ser infelizmente um lugar sujo não justifica as ações tomadas pelo governo que violam principalmente o direito à propriedade. As medidas que a prefeitura tomou mostram o desprezo que o governo possui em relação à sua população, já que o Rio não se preocupou em informar a população sobre essa campanha de saúde.
A falta de conhecimento leva à ignorância e a ignorância leva ao medo, que trouxe a revolta da população carioca. Em vez disso, a prefeitura preferiu usar o caminho da força, pois parecia o mais fácil, porém nem sempre o caminho mais fácil é o que trará melhores resultados. Na verdade, esses resultados vão beneficiar somente a aristocracia do Rio, pois a população que sofreu com o “bota – abaixo” irá se deparar com uma qualidade de vida pior do que a de antes nos morros, enquanto a elite ocupará as novas residências da Paris brasileira.
Essas medidas de prevenção de doenças podem beneficiar a maior parte da população brasileira, porém elas irão trazer mais prejuízos do que benefícios para todos se continuarem o péssimo tratamento dado ao povo carioca.
Compreendemos perfeitamente o projeto de saneamento e de modernização da cidade. Afinal, nós, cidadãos de baixa renda, somos as maiores vítimas desse contexto: vivemos em cortiços superlotados onde o alastramento das grandes epidemias são mais constantes.
ResponderExcluirMas vivemos nessas condições precárias e insalubres devido ao abandono das autoridades, que cobram altos impostos e não investem nas camadas de baixa renda. Vocês reclamam que diplomatas estrangeiros durante o verão se refugiam em Petrópolis para evitar o contágio. E nós que não temos refúgio? O que fazemos? Vamos para nossas casas onde está cheio de epidemias! Mas as verdadeiras preocupações dos governantes são com os de alta renda. Nós somos realmente excluídos, esquecidos pelas autoridades como se fossemos mais um problema. O exemplo disso foi a solução encontrada para a modernização do Rio: Expulsaram os moradores de cortiços do subúrbio que foram obrigados a irem para os morros. A cidade remodelada e modernizada com um sistema de saneamento básico eficiente será usufruída somente pelos ricos!
E agora vem essa de vacinação obrigatória! Além de eles nos expulsarem de nossas casas, as invadem e ainda temos que levantar nossos vestidos na frente de pessoas desconhecidas para nos aplicarem uma coisa que nem sabemos se é realmente eficiente.
Cobrar impostos, caríssima integrante do UCV, não é uma maneira de abandono do governos, mas uma vez que a população se recuse a pagar, além de medidas mais sérias terem de ser tomadas, nada poderá ser melhorado. A falta do refúgio é sinônimo da falta de interesse e dedicação. As casas estariam mais seguras se as populações não se recusassem a tomar as vacinas que protegem os cidadãos.
ResponderExcluirCreio que a senhora se contradiz, porque primeiramente diz "autoridades, que cobram altos impostos e não investem nas camadas de baixa renda" e logo em seguida vem falar sobre o esquecimento e exclusão das autoridades, "Nós somos realmente excluídos, esquecidos pelas autoridades". Seria importante que revisse seus comentários, senhora.
A expulsão dos cortiços foi devido ao tamanho da precariedade da vida em tais locais, que consequentemente eram focos de doenças e epidemias. Mas como sempre, as soluções do governo são mal vistas pelo povo.
Se as vacinas não fossem eficiêntes, ou veneno como muitos dizem, senhora integrante do UCV, a senhora provavelmente não estaria podendo estar aqui, criticando o governo.
Não reclamamos somente da cobrança de impostos, mas da cobrança de altos impostos relacionados com a má distribuição desses impostos no que se diz a respeito na melhoria da qualidade de vida para TODOS os cidadãos. A retirada de cortiços não mudou em nada, pois continuaremos morando em condições precárias, ou o senhor acha mesmo que os morros para onde nos mandaram vai possuir uma rede de saneamento básico realmente eficiente?
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